“Despertador tocando? Então, vai começar tudo de novo? Posso me imaginar atirando o celular contra a parede, fazendo com que o despertador pare de tocar e, só assim, eu poderia dormir o tempo que eu quisesse, levantar sem me preocupar com o que tem pra estudar, ler um livro de romance e esquecer um pouco todo aquele dogmatismo da universidade, fazer o que eu quiser e por quanto tempo eu quiser. Em vez disso, ativo o soneca por 10 minutos, achando que nesses 10 minutos eu poderia matar o sono de uma semana inteira. Levanto. A rotina estava lá, me puxando pro dia a dia. Coisas que eu já decorei, como levantar cambaleando, pegar uma toalha, entrar no banho, escolher uma roupa qualquer, comer algo e ir à universidade. O caminho da minha casa pra lá eu prefiro relevar, escreveria um livro sobre tudo que já me aconteceu e sobre as pessoas que conheci. Voltando aos estudos, chego ao meu destino diário, cumprimento as mesmas pessoas, converso um pouco, espero o professor chegar na sala de aula e, então, começa. Aulas, eu estudo, estudo, faça o mesmo percurso de volta pra casa, estudo, estudo, estudo. Afinal de contas, preciso me preparar para a vida profissional, não é? Mas tudo isso faz sentido? Saber, estudar, entender, tudo isso é bom, mas não deveria ter um certo limite? Isso virou uma competição? Cadê o descanso e a diversão? Ah! Mas tem o alívio no fim de semana, certo? Claro que não! Sem falar que ele passa tão rápido, eu quero aproveitar minha família, ver meus amigos e namorar. Dá tempo de fazer tudo isso em dois dias? A gente é obrigado a se adaptar, mas esse curto tempo é suficiente? Cadê a parte de que “tudo isso faz sentido”? Pois é! Não faz, estudamos pra trabalhar, porque achamos que trabalhar é a única maneira de garantir uma “vida boa”. Isso é verdade? Infelizmente é, mas continuo a dizer que isso não faz sentido, porque não faz mesmo. Tem que ser desse jeito? Essa vida é muito louca, não temos tempo pra nada, saio de casa, chego, durmo e o dia acaba. Tudo isso se repete e quando eu olhar pra trás, perceberei que minha vida já passou e que eu poderia ter aproveitado melhor e mais. E o que a gente faz pra resolver isso? Nada! A gente aceita e já sabe que a vida é isso mesmo, vamos dormir já sabendo mais ou menos como vai ser o dia seguinte. Aproveitamos os momentos raros como dádivas, e vivemos a rotina de maneira exaustiva. Nós, humanos, somos muito complicados!”
Cássia Rodrigues (via cassiinha)



